sexta-feira, 4 de abril de 2008

O CIRCO TRÁGICO DA TELEVISÃO.

Nosso cotidiano é repleto de dificuldades, tristezas e más notícias que, invariavelmente, transbordam nas telas do noticiário jornalístico nacional, na briga por muitas vezes desmedida em busca dos maiores índices de audiência dos telespectadores.

Por isso, não me alongarei ao escrever sobre o caso da menina Isabella, já conhecido pela maior parte da população brasileira, justamente em função dessa luta inescrupulosa das emissoras de televisão.

É claro que não se pode negar a importância destes meios de comunicação, que na sua grande maioria trazem informações relevantes, colaborando assim na formação da “opinião pública”. Mas os exemplos vistos nos últimos dias passaram ao largo da informação precisa e necessária que deveria chegar ao conhecimento dos telespectadores, quando inúmeros canais de televisão “aproveitaram” uma tragédia familiar para aumentar seus índices de audiência.

O “circo trágico” que se formou ao redor deste fato teve seu ápice ontem, quando os canais de televisão divulgaram trechos das cartas deixadas pelo pai e pela madrasta da menina, além de terem dado destaque às mensagens de apoio deixadas para a mãe da criança por inúmeros desconhecidos em um site de relacionamentos (leia-se orkut). Aqui, diminuo um pouco a “culpa” das emissoras, para dividi-la com os familiares da menina que, num momento tão triste, deveriam zelar com mais atenção sua privacidade, brecando tamanha exposição.

Não restam dúvidas que se trata de um crime bárbaro e de forte repulsa popular que, como tal, deve ter como conseqüência uma punição exemplar a quem quer que nele esteja envolvido. Todavia, “rechear” nossos televisores com informações absolutamente desnecessárias e que visam atingir os mais altos picos de audiência, é uma medida que deveria ser pensada com maior responsabilidade pelas nossas emissoras de televisão. Afinal, hoje a televisão é um dos maiores meios formadores da opinião pública, a qual muitas vezes é reflexo do que é transmitido em nossas telinhas.

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